• Camila Wolf

Quatro atitudes que prejudicam sua autoestima

Marina era uma jovem mulher que, mesmo com pouca idade, já acumulava grandes conquistas. Morava em um casa confortável, frequentava bons lugares, seu trabalho lhe dava certo prestígio social e tinha um bom relacionamento com a família e amigos. Era bem quista por onde passava, tinha uma postura independente e acessível ao mesmo tempo, muito inteligente e, até certo ponto, invejável.

As pessoas do seu convívio afirmavam que Marina era uma pessoa muito boa, sempre disposta a ajudar, mesmo quando não tinha disposição ou tempo. Sofria de enxaquecas constantes, e, de vez em quando, apareciam manchas na pele.


No entanto, um bom diálogo com Marina revelava uma tristeza encoberta, escondida ali no cantinho, onde ela não mostrava e ninguém parecia perceber. Marina tinha problemas de auto-estima, se sentia vazia e não via sentido em viver. Às vezes, tinha vontade de fugir para outra cidade, outro pais... Qualquer lugar que não fosse reconhecida e pudesse ficar quietinha, sozinha em seu canto.


Sentia-se profundamente infeliz e, nas poucas vezes que expôs seus sentimentos, ouvia sempre o mesmo conselho: “veja tudo o que você tem! quantas pessoas gostariam de estar no seu lugar”. Encerrada a conversa, Marina se sentia culpada. Talvez estivesse sendo ingrata.


Marina é um nome fictício para simbolizar muitos personagens reais que conheci na minha trajetória como terapeuta. A realidade de Marina é muito mais comum do que se imagina.


Existem por aí centenas, milhares de Marinas que não conseguem encontrar satisfação na vida e enfrentam grande dificuldade em preencher o vazio.


O motivo é que o vazio não se enche de fora para dentro, mas justamente o contrário.


Ter um trabalho cobiçado, o carro do ano e o casamento do século não são garantias de felicidade. Rollo May dizia que a necessidade central na vida de qualquer organismo é realizar as suas potencialidades. Para isso é preciso assumir a sua individualidade e tornar-se responsável pela sua própria existência. Em outras palavras, fazer as suas próprias escolhas e assumir as consequências.

Vemos constantemente pessoas que buscam a autoaprovação no olhar do outro, numa tentativa de satisfazer os desejos do outro ou que foram projetados no outro. Antes de assumir uma conotação negativa, é uma atitude natural do ser humano como forma de se preservar e se adaptar às necessidades que o meio impõe. Contudo, quando essa busca se torna um traço dominante, precisamos ficar alerta.

Irei descrever quatro traços característicos que podem ser indicadores de que você está caminhando para viver como Marina.


1. Tendência de se perceber ou agir a partir de uma representação fantasiosa de si;

Essa tendência acontece quando você rejeita um aspecto da sua realidade ou história de vida, e que lhe causa sofrimento emocional, como vergonha ou culpa. E para escapar dessa situação, você simula, às vezes inconscientemente, um outro “eu”, mais digno e merecedor da valorização a partir de si mesmo ou do outro.


Existe uma necessidade de esconder as fraquezas, defeitos e vulnerabilidades e se apresentar forte, imponente e importante.

2. Auto identidade mal definida

Auto identidade é o processo de reconhecer sua singularidade frente à alteridade. Ou seja, é basicamente ter consciência daquilo que te pertence. Suas características físicas e psicológicas. Seus pensamentos, sentimentos e comportamentos.


Mesmo que não seja o mais interessante, o mais agradável ou bem aceito. É seu, é você. E ainda que um dia deixe de ser, hoje, nesse exato momento, é assim que você está. E não tem nada de errado nisso. Afinal de contas, o ser humano é singular e irrepetível.


O jeito Marina não tem autonomia de sua identidade e não valoriza a própria estima. Não consegue dizer não e tenta sempre agradar alguém, trai sua criatividade e se torna dependente do juízo alheio.


O jeito Marina está alienado de si mesmo. Alienado em seu sentido original significa aquilo que não pertence mais ao dono, que se tornou outro.


3. Tendência à idealização de si mesmo


Esse traço revela uma busca constante por uma imagem ideal de si mesmo. Chabert chama isso de “paradoxo da idealização”, pois você se esforça para manter uma imagem de si perfeita, em contraposição à uma carência na representação de si mesmo. É como se você investisse todo seu esforço para criar uma embalagem perfeita, mesmo sabendo que o conteúdo é uma caneta BIC sem tampa.


4. Psicossomática: reflexo no corpo dos conflitos não resolvidos

Como disse, Marina sentia fortes dores de cabeça e eventualmente, manchas na pele. Negar a sua individualidade, rejeitar a própria história e seus desejos são formas “adoecidas” de se viver. E nada mais natural do que o corpo adoecer também.


Eu sei que não é fácil assumir suas escolhas. Todas as escolhas têm, inevitavelmente, consequências. E pode parecer mais fácil deixar que o outro lide com as consequências. Se a viagem foi ruim, não foi você quem escolheu o destino. Se o trabalho deu errado, não foi você que escolheu a equipe. E por aí vai.


O seu maior aliado para descobrir quando as coisas estão indo por um caminho que você não gostaria, é presentação atenção no que seu corpo está dizendo. O corpo nunca mente e quando ele fala, é porque está na hora de ouvir. Está na hora de mudar. Está na hora de olhar para si e começar a se posicionar frente ao Universo. “Esse sou eu. Muito prazer”.

Vivemos numa cultura onde se adaptar-se aos padrões passou a ser uma norma, e ser estimado representa a salvação. Porém, mais importante do que ser estimado pelos outros, é ser estimado por si próprio.

Se você gostou do texto e gostaria de compartilhar sua experiência de viver como você ou como Marina, deixe sua opinião nos comentários.

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