• Camila Wolf

Como analgésico afeta sua capacidade de sentir

Poucas coisas no mundo são tão irritantes como a dor. Existem pessoas que recorrem a tratamentos alternativos, aqueles que toleram a dor, até que ela passe, e aqueles que utilizam medicamentos analgésicos para aliviar o sofrimento.

Os analgésicos não atuam onde está o problema, mas agem diretamente no cérebro, “desligando” ou adormecendo as áreas responsáveis pela dor. O interessante é que o funcionamento do cérebro é praticamente o mesmo, diante de dores físicas e emocionais e assim, estamos corretos ao dizer que certos sentimentos são dolorosos.


Dois estudos diferentes, realizados na Universidade de Ohio, mostram que analgésicos a base de Paracetamol, um dos mais utilizados para dor e febre, afetam, não só a sensação de dor, mas também as emoções positivas e a empatia.


No primeiro estudo realizado em 2015, dividiu-se dois grupos: um que tomava comprimido de Paracetamol, e outro que usava placebo. Depois de uma hora, os participantes visualizaram algumas imagens para eliciar reações emocionais diferentes.


Foi constatado que as pessoas que tomaram o comprimido, tinham menos reações emocionais do que aquelas que ingeriram placebo. A medicação inibiu as emoções negativas e positivas. Mesmo diante imagens “felizes”, como bebês brincando com gatinhos, os participantes descreviam as suas emoções como medianas.


Em maio de 2016, um novo estudo publicado observou resultados semelhantes quanto à inibição de emoções positivas e negativas. Contudo, os psicólogos decidiram estudar também seus efeitos sobre a empatia.

A empatia é a capacidade de sentir o que o outro está sentindo, de se colocar no lugar do outro. E se os analgésicos diminuem ou adormecem as emoções - negativas e positivas - qual seria o impacto na avaliação do sentimento alheio?

Nessa pesquisa, os participantes observavam três situações que traziam sofrimento à outra pessoa: uma de natureza física, outra de dor emocional e a terceira na qual um garoto era vítima de bullying.


Os resultados mostraram que aqueles que tomaram Paracetamol, tiveram mais dificuldade em descrever ou se conectar com o sentimento alheio, sendo menos empáticos nas três situações, comparado ao grupo que não fez uso do medicamento. Eles também tiveram menos motivação ou desejo de ajudar ao próximo nessas situações.

Esses estudos foram realizados apenas com o Paracetamol e agora estão sendo analisados outros tipos de analgésicos. No entanto, fica um alerta para aqueles que lidam diariamente com pessoas.


Tomar analgésicos a base de Paracetamol, amortece não só a dor e emoções negativas, mas também emoções positivas. Ficamos entorpecidos, desencorajados, abatidos.

E se nosso cérebro está temporariamente impossibilitado de se colocar no lugar do outro, nossas relações podem ser afetadas. Seja para discutir relação com nosso parceiro, entender a emoção do nosso filho em ser escalado para o time de futebol, ou a dificuldade que um funcionário está passando.

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